
Posso confiar no prazo de validade anunciado nos rótulos dos alimentos?
Em termos. É sempre bom olhar, primeiro, a temperatura em que o alimento está mantido. Isso é ainda mais importante para alimentos refrigerados ou congelados. O prazo de validade só ganha sentido se o alimento estiver sob a temperatura recomendada. E nada garante que tenha sido mantido nessa temperatura por todo o tempo anterior. Assim, o prazo de validade é apenas um indicativo. O alimento pode estar dentro do prazo e, no entanto, estar deteriorado. Por outro lado, e por isso mesmo, as indústrias de ponta sempre estabelecem um prazo mais curto do que o verdadeiro. Assim, muitos alimentos, mesmo com o prazo já vencido, podem apresentar ótimas condições de consumo. Nos Estados Unidos, por exemplo, usa-se o termo "best before", ou seja, "melhor consumir antes de". Esta alternativa é a que pode se fundamentar nos conhecimentos disponíveis da ciência de alimentos. Ademais, é óbvio que inexiste um momento X, a partir do qual, um alimento até então bom para consumo, deixa imediatamente de o ser. Em suma, a data de validade é um indicativo precioso. Mas precisa ser compreendido dentro de seus objetivos e limitações. Priorizar o prazo é coisa de fiscal e consumidor preguiçoso. Tente olhar o todo. Em toda sua complexidade. Use também os olhos e o nariz: alimentos deteriorados pelo tempo geralmente ficam murchos, criam bolor ou cheiram mal. Já alimentos que provocam cólera, salmonelose e outras infecções, ao lado de alimentos contendo excesso de aditivos, agrotóxicos ou contaminantes ambientais, podem estar perfeitamente dentro do prazo de validade, com boa aparência e ótimo cheiro e sabor. E aí é que está o problema mais grave. Para isso é que precisamos da vigilância sanitária e dos órgãos de proteção do consumidor. Mais trabalho, mais ciência e menos mídia. Pense nisso. E exija respeito.
Prof. Luiz Eduardo Carvalho - FF/UFRJ
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